Vereador critica preconceito contra 'forasteiros'
O termo xenofobia deu a tônica nos discursos dos vereadores Valmir Coelho Ludvig (PT) e Ademir Braz de Sousa (PMDB), durante a sessão ordinária de terça-feira (8) na Câmara Municipal de Brusque. O motivo foi uma entrevista concedida pelo pedetista Roberto Pedro Prudêncio Neto ao programa Agito Geral, da Rádio Cidade, na semana passada. Prudêncio Neto criticou o fato de haver pessoas nascidas fora do município trabalhando no Executivo.
Na ocasião, o alvo foi o assessor de governo Cedenir Simon, que atua no gabinete do prefeito Paulo Eccel. ‘Cedê’, como é conhecido, costuma acompanhar o trabalho no Legislativo e trafega entre os vereadores para negociar a entrada ou não, em plenário, de projetos do Executivo. Prudêncio Neto disse, na entrevista, que Cedenir veio de Florianópolis por ter sido derrotado em eleição para a Câmara Municipal de lá.
O assunto rendeu discurso inflamado de Valmir Ludvig. Ele começou explicando o que é o termo xenofobia, que, entre outras definições, aponta para a aversão a pessoas que não são oriundas de um determinado local. Ludvig lembrou, por exemplo, que apenas três dos vereadores na atual legislatura (Edson Rubem Muller, Eduardo Hoffmann e Alessandro Simas) nasceram em Brusque.
Os demais vieram de outros municípios. “Nós, vereadores, não podemos ter esse tipo de pensamento”, comentou o líder do governo na tribuna.
É o caso de Ademir Braz de Sousa, que nasceu em Florianópolis. Ele aproveitou para apoiar o discurso do petista, lembrando que vive na cidade de Brusque há mais de vinte anos, mas que já passou por outras cidades onde viveu o mesmo problema. Ademir lembrou situação que, segundo ele, teria ocorrido na Câmara na legislatura 2001/2004, quando também ocupou uma das cadeiras.
O fato de não ser de Brusque, ainda de acordo com suas palavras, teria sido levantado pelo ex-prefeito Ciro Roza. “Ele disse: você nem conhece a cidade. Nem brusquense é” disse Braz de Sousa.
O peemedebista aproveitou ainda para afirmar que, além de Roza, outros prefeitos que administraram a cidade não nasceram aqui e que em suas gestões o município deu grande salto em termos de crescimento econômico. “Se formos olhar assim, é o Pipoca, o Simas e o Duda. São os únicos que se salvam. O resto de nós aqui somos tudo forasteiro. Que coisa sem graça, analisar o valor das pessoas pelo lugar em que elas nascem, de onde elas vêm. Na hora da eleição, todos nós vamos em busca do voto do cidadão. Aí não se pergunta de onde ele vem e sim em quem vai votar”, declarou Valmir Ludvig.
O vereador Roberto Prudêncio Neto (PDT) nasceu em Joaçaba.


